A decisão da FIFA de sediar no Uruguai a primeira Copa do Mundo não foi bem aceita por todos, já que a Europa afundava numa crise econômica e participar da Copa envolvia uma longa e cara viagem de navio. Além disso, significava que os clubes teriam de dispensar seus melhores jogadores por quase dois meses.
O Uruguai havia sido escolhido como sede pelo fato da seleção do país ter se sagrado bicampeã olímpica em 1924 e 1928, ganhando o apelido de “Celeste Olímpica”. Desta forma, a FIFA presenteou o melhor escrete da época com a sede da Copa – e com uma chance imperdível de se sagrarem campeões mundiais. Os uruguaios eram os favoritos.
Foi a única Copa cujos participantes foram definidos apenas por convite. Das 16 seleções convidadas, apenas 13 participaram. Foi uma mini Copa América, afinal apenas Iugoslávia, Bélgica, Romênia e França toparam fazer a dispendiosa viagem. Aliás, o sorteio das chaves só aconteceu quando todos os times já se encontravam em solo uruguaio, algo bem diferente do que acontece hoje em dia.
O primeiro jogo da história das Copas foi uma massacrante vitória de 4 a 1 da França sobre o México, que se tornaria a partir dali um saco de pancadas por décadas. Na primeira fase, os 13 times foram divididos em um grupo de quatro e três grupos de três times cada. Classificaram-se para as semifinais Argentina, Iugoslávia, Uruguai e Estados Unidos, vencedores de seus respectivos grupos.
O Brasil jogou mal e foi logo eliminado. Apesar disso, teve seu herói, o jogador Fausto, o “Maravilha Negra”, considerado o melhor jogador da Copa, mesmo tendo disputado só dois jogos. A seleção teve dois anti-heróis nessa Copa: um foi o frio do duro inverno uruguaio, e o outro foi a famosa “tremedeira” no primeiro jogo contra a Iugoslávia, perdido por 2 a 1. O próprio Fausto, na época, foi claro: “feio não é perder; feio é ter medo”. No segundo jogo, a goleada sobre a Bolívia de nada adiantou, pois a Iugoslávia também venceu seu jogo contra os sulamericanos e o Brasil foi eliminado.
Nas semifinais, o Uruguai não teve dificuldades em vencer a Iugoslávia por 6 a 1, mesmo placar da outra semifinal, com a Argentina goleando os norte americanos. O interessante é que não houve disputa do 3º e 4º lugares, portanto Iugoslávia e Estados Unidos foram declarados terceiros lugares, embora as campanhas das duas seleções na primeira fase sejam levadas em conta, às vezes, para a elaboração do ranking.
O cenário de festa estava pronto e a primeira final de Copa do Mundo gerou muita expectativa do público local, afinal o time da casa certamente seria saudado por 80 mil empolgados espectadores, esperando ansiosamente por uma vitória e pelo título em casa.
Entretanto, as coisas não foram tão fáceis assim. Ao final do primeiro tempo, a Argentina liderava com 2 a 1 no placar, tendo virado o jogo com Peucelle e Stábile, após o gol inicial de Dorado. Não se sabe ao certo o que os uruguaios ouviram no vestiário naquele intervalo, mas eles voltaram com um ímpeto renovado e marcaram três gols em meia hora de jogo com Cea, Iriarte e Castro, vencendo o jogo por 4 a 2 e conquistando a primeira Copa do Mundo. A comoção foi tanta que o dia seguinte à conquista foi declarado feriado nacional. E assim começou a história das Copas do Mundo.
I Copa do Mundo – 1930 – Uruguai
Campeão: Uruguai
Vice: Argentina
3º lugar: Estados Unidos
4º lugar: Iugoslávia
Período: de 13 a 30 de julho de 1930
Total de jogos: 18
Gols marcados: 70
Média de gols: 3,89 por partida
Artilheiro: Stabile (Argentina) – 8 gols
Público total: 575.300 pagantes
Média de público: 31.961 pagantes
O Brasil: 6º lugar – 2 jogos (1V e 1D) / 5GP 2GC
Jogos: Iugoslávia 2×1 Brasil (Tirnanic e Beck (I) / Preguinho (B)
Brasil 4×0 Bolívia (Preguinho (2) e Moderato (2))
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domingo, 14 de fevereiro de 2010
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